vértebra

ensaia a expansão do corpo para espaços ainda não sabidos

Sexta, 29 de Dezembro de 2017

chega mais 2018

por anna clara carvalho


últimos dias do ano, saturno — e não só ele — em capricórnio, recém-chegado pra ficar até 2020, duas semanas para os 28 anos,

a mudança se dá – e é sentida – já.

acordo bem introspectiva

como se dentro de mim estivesse essa grande montanha íngreme já conhecida

inevitavelmente reconheço

hora de olhar pra dentro e preparar para reiniciar o ciclo.


esse ano escrevi bem pouco,

por outro lado, escutei bem mais

aprendi a força da escuta em tempos de excessivo ruído

e nesse dia de silêncio grande, ouço

como você está se sentindo onde está agora?

como se sente em relação ao que foi trilhado no ano que se encerra?

o que intensiona verdadeiramente que aconteça em 2018 e como está se preparando para isso?

o que está movendo para que esses desejos se materializem?


se 2017 me ensinou a pedir

e que é preciso saber pedir

e que pedir — com confiança — é parte fundamental de todo processo

aqui vou eu, sem timidez,

pedir às deusas, aos orixás, a mim mesma, ao universo, a quem eu amo

compartilhar meus desejos com o mundo, dar chance d'ele me ajudar.

lembrar que segurança e confiança não são a mesma coisa e que

é na confiança que se caminha.


fortes gripes, processos alérgicos, machucados em sequência, crises de ansiedade, pele, mão, pé, dente, nariz, garganta

entre variados sintomas e investigações das causas, meu corpo conversou comigo e me ensinou à beça.

aprendi que

é essencial equilibrar o dar e o receber

– sacar o quanto estou me dedicando às situações e o quanto elas estão me alimentando e me ajudando a me sustentar

em todos os sentidos –

ou

vou seguir excessivamente cansada sem reconhecer por quê; confusa em relação a determinadas decisões e sem a energia que gostaria para viver as coisas.

escutei que

toda vez que eu me preocupo demasiadamente com o externo, eu perco o eixo, me desconecto de mim mesma e, rapidamente, entro num estado que não é nada legal: ansiedade, respiração alterada, autocrítica exagerada e pouca generosidade comigo mesma, que juntas levam a uma dificuldade extrema em estar no presente. e se eu não estou no presente, nada nunca vai ser suficiente pra me sentir bem.

dá vontade de escrever nas paredes:

lembra que seu corpo é sábio e nunca vai te abandonar:

escute os seus sinais com generosidade, sem ansiedade. não o atropele.

mergulha no que te convidar sem medo, mas ora ou outra lembra de checar se ainda dá pé.

saiba da tua natureza, mas não a engesse. somos seres em movimento. corpo é mapa, não é monumento.

2017 foi um ano trabalhoso — quase todo mundo concorda. a aridez de saturno provocou muita desesperança; quantas conversas você viveu que giravam em torno de

está muito difícil e/ou não sei o que fazer?

ela mesma, junto a um inverno rigoroso, nos perguntou como lidar com menos recursos e a promover a própria primavera. reinventamos então ferramentas, estratégias, relações e espaços. e isso foi maravilhoso, a grande sacada pra viver aqui & agora.

descobri(mos)

que é possível mesmo quando não parece, que se não tem disponível, é hora de criar / produzir / refazer

e no tempo que vem precisamos fazer uso do que se aprendeu e inventou.

os espaços criados precisam ser habitados, as descobertas, compartilhadas

e, pessoalmente, sinto que preciso me movimentar — ainda mais e mais radicalmente (ou seria verticalmente?).

que atuar coletivamente — com escuta e interesse das múltiplas partes — é bem melhor e eficaz.

agradeço muito pelas redes que construímos juntes e pela disponibilidade com que nos abrimos para crescer, aprender, reinventar os modos e ações.


os aprendizados e as necessidades vão se misturando na fala e no caminho, naturalmente

2018 pode até não ser mais fácil, mas será menos contraído.

é pela descoberta da confiança que confio.

e é confiando na sabedoria do corpo que caminho.

vem 2018

gigante, expansivo, corajoso,

é muito bom estar otimista para recebê-lo.

[fotografias anna clara carvalho]

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anna clara carvalho

é atriz performer
bruxa cabra forasteira flecha e risco de queda d'água
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